A emissão de nota fiscal sempre foi um tema sensível para médicos, mas em 2026 ela ganhou um novo peso por causa da Reforma Tributária e da entrada do IBS e da CBS. Muitos profissionais ainda têm dúvidas sobre quando a nota é obrigatória, quem precisa emitir, como funciona o processo na prática e de que forma os novos tributos impactam a rotina médica. Entender esse cenário deixou de ser apenas uma questão burocrática e passou a ser parte essencial da organização profissional.
A nota fiscal é o documento que comprova a prestação do serviço médico, formaliza o recebimento e serve como base para a apuração de impostos. Com o aumento da fiscalização eletrônica e o cruzamento de dados, emitir corretamente se tornou indispensável para evitar problemas com a Receita Federal, retenções indevidas e inconsistências no imposto de renda.
O que são IBS e CBS e por que eles afetam médicos
O IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, e a CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços, são os novos tributos criados pela Reforma Tributária para substituir impostos como ISS, PIS e Cofins. A proposta é simplificar a tributação sobre o consumo, unificar regras e tornar o sistema mais transparente.
Para os médicos, o impacto do IBS e da CBS está diretamente ligado à prestação de serviços e à emissão da nota fiscal. A partir de 2026, esses tributos passam a incidir sobre os serviços médicos conforme as regras definidas na legislação, com possíveis tratamentos diferenciados para a área da saúde, mas sempre vinculados à nota emitida.
Na prática, isso significa que a nota fiscal se torna o principal instrumento de registro da prestação do serviço e da incidência dos novos tributos. Emitir corretamente garante que o IBS e a CBS sejam calculados da forma adequada.
Médico é obrigado a emitir nota fiscal em 2026
A obrigação de emitir nota fiscal depende da forma como o médico atua. O médico que possui CNPJ, ou seja, que atua como pessoa jurídica, é obrigado a emitir nota fiscal sempre que prestar serviços médicos, seja em consultas, procedimentos, plantões, telemedicina ou contratos com clínicas, hospitais e operadoras.
Já o médico que atua como pessoa física, sem CNPJ, não emite nota fiscal, mas deve emitir recibo médico. No entanto, em 2026, é cada vez mais comum que hospitais, clínicas e empresas exijam nota fiscal como condição contratual, o que acaba tornando a abertura de CNPJ praticamente obrigatória em muitos cenários.
Ignorar essa exigência pode resultar em perda de oportunidades de trabalho ou problemas no recebimento dos valores.
A relação entre nota fiscal, IBS e CBS na prática
Com a Reforma Tributária, a nota fiscal passa a concentrar ainda mais informações relevantes. É por meio dela que o sistema identifica a prestação do serviço, o valor cobrado e a incidência do IBS e da CBS.
O médico não precisa calcular manualmente esses tributos a cada nota. Desde que o CNPJ esteja corretamente enquadrado e o sistema de emissão configurado de forma adequada, o cálculo ocorre automaticamente conforme o regime tributário escolhido.
O ponto crítico está justamente na configuração correta. Emitir nota com atividade errada, código incorreto ou regime mal enquadrado pode gerar cobrança indevida de impostos ou inconsistências fiscais difíceis de corrigir depois.
Quem precisa de CNPJ para emitir nota fiscal
Para emitir nota fiscal, o médico precisa obrigatoriamente ter um CNPJ ativo. Isso vale para médicos que atendem em consultório próprio, realizam plantões por contrato, prestam serviços para clínicas e hospitais, atuam em telemedicina ou recebem por meio de pessoa jurídica.
A abertura do CNPJ envolve decisões importantes, como a natureza jurídica e o regime tributário. Essas escolhas impactam diretamente a forma como a nota fiscal será tributada e como o IBS e a CBS vão incidir sobre os serviços prestados.
Em 2026, abrir um CNPJ sem planejamento pode resultar em uma carga tributária maior do que o necessário, mesmo emitindo nota corretamente.
Como funciona a emissão da nota fiscal para médicos
O processo de emissão da nota fiscal começa com o cadastro do médico no sistema de NFS-e utilizado pelo município ou pelo sistema nacional. Após esse cadastro, a emissão se torna parte da rotina.
Sempre que o serviço médico é prestado, o médico registra os dados do tomador, a descrição do serviço, a data e o valor. O sistema gera a nota fiscal eletrônica, já com a incidência dos tributos conforme o enquadramento da empresa.
Essa nota deve ser entregue ao contratante ou paciente e também armazenada para fins contábeis. Em 2026, a guarda correta dessas notas é ainda mais importante, já que a fiscalização é cada vez mais automatizada.
Emissão de nota fiscal em plantões médicos
Os plantões médicos são uma das situações que mais geram dúvidas. Muitos hospitais e clínicas contratam médicos como prestadores de serviço e exigem a emissão de nota fiscal para pagamento.
Nesse caso, o médico deve emitir a nota conforme o período trabalhado ou conforme o contrato estabelecido. O valor recebido será tributado de acordo com o regime da empresa, com incidência do IBS e da CBS conforme as regras vigentes.
Não emitir a nota quando exigido pode atrasar pagamentos, gerar retenções indevidas ou criar problemas fiscais futuros.
Nota fiscal em atendimentos particulares e convênios
Nos atendimentos particulares realizados por médicos com CNPJ, a emissão da nota fiscal é obrigatória. Ela serve como comprovante para o paciente e também pode ser utilizada para reembolso em planos de saúde.
Nos atendimentos via convênios, a nota fiscal geralmente é exigida pela operadora ou pela clínica intermediadora. Em ambos os casos, a emissão correta garante que os tributos sejam aplicados de forma adequada e evita questionamentos posteriores.
Regime tributário e impacto direto na nota fiscal
O regime tributário escolhido pelo médico influencia diretamente como a nota fiscal será tributada. Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real possuem regras diferentes de apuração e recolhimento.
No Simples Nacional, os tributos são recolhidos em guia única, e a transição para IBS e CBS ocorre de forma gradual conforme a regulamentação. No Lucro Presumido, a apuração é separada, exige maior controle contábil, mas em muitos casos resulta em menor carga tributária para médicos.
Em 2026, escolher o regime correto é fundamental para que a emissão de nota fiscal não se torne um problema financeiro.
Erros comuns na emissão de nota fiscal médica
Entre os erros mais comuns estão emitir nota com atividade incorreta, esquecer de emitir notas recorrentes, não guardar os documentos, misturar recebimentos de pessoa física e jurídica e não acompanhar a tributação aplicada.
Com IBS e CBS, esses erros tendem a gerar impactos maiores, já que o sistema tributário se torna mais integrado e transparente.
A importância da contabilidade especializada para médicos
Emitir nota fiscal corretamente em 2026 exige mais do que acesso ao sistema de emissão. Exige entendimento das regras tributárias, acompanhamento da legislação e organização financeira.
Uma contabilidade especializada em médicos ajuda a definir o regime tributário mais adequado, configurar corretamente a emissão das notas e garantir que IBS e CBS sejam aplicados da forma correta.
Considerações finais
A emissão de nota fiscal para médicos em 2026 passou a ocupar um papel central na organização da carreira médica por causa da Reforma Tributária e da chegada do IBS e da CBS. Emitir corretamente não é apenas cumprir uma obrigação legal, mas proteger a própria carreira e evitar problemas futuros.
Com informação clara, planejamento e apoio especializado, a nota fiscal deixa de ser um problema e passa a ser apenas mais uma etapa bem organizada da vida profissional do médico.